O agronegócio brasileiro voltou a mostrar sua força no cenário internacional ao encerrar o mês de março com números históricos nas exportações. Impulsionado principalmente pela soja, milho e farelo de soja, o Brasil embarcou um volume recorde de 17,1 milhões de toneladas de grãos, consolidando sua posição como uma das maiores potências agrícolas do mundo e reforçando as expectativas de um novo ano recorde para o setor em 2026.
De acordo com dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o desempenho registrado em março representa o maior volume já exportado para o mês, considerando a programação de navios. O resultado reflete não apenas a competitividade do Brasil no mercado global, mas também a forte demanda internacional por alimentos, em um cenário de oferta ajustada e preços atrativos.
Soja lidera exportações e bate novo recorde históricoA soja foi, mais uma vez, o grande destaque das exportações brasileiras. O país embarcou 15,9 milhões de toneladas do grão apenas em março, superando o recorde anterior de 15,7 milhões de toneladas para o período. O desempenho reforça a liderança da oleaginosa na pauta exportadora e evidencia a eficiência produtiva do Brasil, que segue ampliando sua participação no comércio global.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, as exportações de soja já somam 27,2 milhões de toneladas, resultado superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Esse crescimento consistente indica um cenário altamente favorável para o restante do ano, sustentado por uma demanda internacional aquecida, especialmente por parte da China e de outros grandes importadores.
Além do grão, o farelo de soja também apresentou desempenho expressivo. Em março, foram exportadas 2,24 milhões de toneladas, volume superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O avanço do farelo reflete o fortalecimento da indústria de processamento no Brasil, que vem agregando valor à produção agrícola e ampliando sua presença no mercado externo.
As projeções do setor indicam que o Brasil poderá exportar 111,5 milhões de toneladas de soja ao longo de 2026, além de 24,6 milhões de toneladas de farelo, números que reforçam a expectativa de mais um ano histórico para o agronegócio nacional.
Milho mantém competitividade mesmo fora da safraOutro destaque importante foi o milho, que apresentou desempenho surpreendente mesmo fora do pico da temporada de exportação. Em março, o Brasil embarcou 888 mil toneladas do cereal, superando volumes registrados em anos anteriores considerados relevantes para o setor.
O país já ocupa a posição de maior exportador mundial de milho, à frente dos Estados Unidos, e continua demonstrando forte competitividade, mesmo em períodos de menor oferta. Esse desempenho é sustentado por ganhos de produtividade, expansão da área plantada e melhorias logísticas, que vêm permitindo maior eficiência no escoamento da produção.
Um fator adicional que vem impulsionando o setor é o crescimento da indústria de etanol de milho. Com o avanço desse segmento, novos subprodutos têm ganhado espaço no mercado internacional, como o DDGS (grãos secos de destilaria), utilizado na alimentação animal. No primeiro trimestre de 2026, as exportações de DDGS somaram 292 mil toneladas, representando um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Trigo e sorgo ampliam participação nas exportaçõesEmbora em menor escala, outros grãos também contribuíram para o desempenho positivo das exportações brasileiras em março. O trigo, por exemplo, registrou embarques de 398 mil toneladas, superando o volume exportado no mesmo período de 2025, ainda que abaixo de anos anteriores mais expressivos.
Já o sorgo começa a ganhar relevância no cenário agrícola nacional. Com embarques de 35 mil toneladas no mês, o grão apresenta potencial de crescimento, especialmente diante da diversificação da produção agrícola e da busca por alternativas mais adaptáveis a diferentes condições climáticas.
A ampliação do portfólio de produtos exportados demonstra a capacidade do Brasil de se adaptar às demandas do mercado internacional, reduzindo riscos e aumentando a resiliência do setor.
Exportações de carnes avançam em valorNo segmento de proteínas animais, o cenário foi de estabilidade em volume, mas com valorização significativa nos preços. Durante o mês de março, a média diária de exportações foi de 11,1 mil toneladas de carne bovina, 22 mil toneladas de carne de frango e 5.952 toneladas de carne suína.
Apesar de os volumes permanecerem próximos aos registrados no ano anterior, os preços apresentaram alta consistente. A carne bovina registrou valorização de 18%, enquanto as aves tiveram aumento de 2% e a carne suína avançou 10%.
Esse movimento indica um mercado internacional aquecido, com demanda firme e maior disposição para pagamento, o que contribui para elevar a rentabilidade dos produtores e fortalecer ainda mais o agronegócio brasileiro.
Leite reage após período de retraçãoOutro ponto relevante no cenário agropecuário foi a recuperação dos preços do leite. Após meses de queda, o valor pago ao produtor voltou a subir pelo segundo mês consecutivo, atingindo média de R$ 2,1464 por litro em fevereiro, alta de 5,4% em relação a janeiro.
A recuperação está diretamente ligada à redução na oferta. A captação de leite caiu 3,6% no período, influenciada por fatores como a sazonalidade climática, que afeta a qualidade das pastagens, e a redução de investimentos por parte dos produtores, após um período prolongado de preços baixos.
Apesar da reação recente, o setor ainda enfrenta desafios e acumula perdas em relação ao ano anterior, indicando que o equilíbrio entre oferta e demanda ainda está em processo de ajuste.
Brasil consolida protagonismo no agronegócio globalO desempenho das exportações em março reforça uma tendência clara: o Brasil segue ampliando sua presença no comércio internacional de alimentos e se consolidando como um dos principais fornecedores globais de commodities agrícolas.
A combinação de fatores como escala produtiva, avanços tecnológicos, eficiência no campo e demanda internacional aquecida tem permitido ao país bater recordes consecutivos, mesmo diante de desafios logísticos e oscilações de mercado.
Com a soja liderando as exportações, o milho mantendo forte competitividade e novos produtos ganhando espaço, o Brasil caminha para mais um ano de protagonismo no agronegócio mundial.
A expectativa do setor é de que 2026 seja marcado por novos recordes, tanto em volume quanto em valor exportado, reforçando a importância do agro para a economia brasileira e sua relevância estratégica no abastecimento global de alimentos.
Diante desse cenário, o agronegócio nacional não apenas sustenta sua posição de destaque, mas também amplia suas oportunidades, consolidando-se como um dos pilares fundamentais do crescimento econômico do país.